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Aqui nada acontece (às vezes)

Chamadas telefônicas do sequestro de Cleveland

Quem costuma acompanhar as notícias, sabe que ontem à noite, dia 6 de maio, foram resgatadas três moças desaparecidas entre períodos de nove a onze anos em Cleveland. Elas haviam sido sequestradas.

Uma das vítimas, Amanda Berry, ao gritar conseguiu alertar um dos vizinhos do cativeiro, Charles Ramsey, que foi ao local e ajudou-a a arrombar a porta da casa onde estava e libertou-se, junto com sua filha (filha esta que teve enquanto estava sequestrada; suspeita-se que o filho seja de Ariel Castro, o sequestrador).

Bem, decidi aqui transcrever as chamadas telefônicas à emergência realizadas por Berry e Ramsey, pois elas não tiveram muito destaque na imprensa brasileira.

Ligação telefônica de Amanda Berry à emergência

Policial: Cleveland 911.
Amanda Berry: Alô, polícia! Ajude-me! Eu sou Amanda Berry!
Policial: Você precisa da polícia, dos bombeiros ou ambulância?
Amanda Berry: Eu preciso da polícia!
Policial: O.k., e o que está acontecendo aí?
Amanda Berry: Eu fui sequestrada e eu estive desaparecida por 10 anos, e eu, eu estou aqui, eu estou livre agora!
Policial: O.k., e qual o seu endereço?
Amanda Berry: 2207 Avenida Seymour.
Policial: 2207 Seymour. Parece que você está me chamando do 2210.
Amanda Berry: Hã?
Policial: Parece que você está me chamando do 2210.
Amanda Berry: Eu não consigo te ouvir.
Policial: Parece que você está me chamando da 2210 Seymour.
Amanda Berry: Eu estou do outro lado da rua; Eu estou usando o telefone.
Policial: O.k., fique aí com esses vizinhos. Fale com a polícia quando eles chegarem aí.
Amanda Berry: (Chorando)
Policial: O.k., fale com a polícia quando eles chegarem aí.
Amanda Berry: O.k. Alô?
Policial: O.k., fale com a polícia quando eles chegarem aí.
Amanda Berry: O.k. (ininteligível)
Policial: Nós os enviaremos assim que tivermos um carro disponível.
Amanda Berry: Não, eu preciso deles agora, antes que ele volte.
Policial: Tudo bem, estamos os mandando, o.k.?
Amanda Berry: O.k., quero dizer, como…
Policial: Quem é o cara que você está tentando… Quem é o cara que saiu?
Amanda Berry: Hã, seu nome é Ariel Castro.
Policial: O.k. Quantos anos ele tem?
Amanda Berry: Ele tem 52.
Policial: E, hum…
Amanda Berry: Eu sou Amanda Berry. Eu estive nos noticiários nos últimos 10 anos.
Policial: Eu entendi, eu entendi isso, querida. (Ininteligível) E, você disse, qual o nome dele de novo?
Amanda Berry: Hã, Ariel Castro.
Policial: E ele é branco, negro ou hispânico?
Amanda Berry: Hã, hispânico.
Policial: E o que ele está vestindo?
Amanda Berry: (Agitada) Eu não sei, porque ele não está aqui agora! É por isso que eu fugi.
Policial: Quando ele saiu, o que ele estava vestindo?
Amanda Berry: Quem sabe (ininteligível)
Policial: A polícia está a caminho; fale com eles quando chegarem aí.
Amanda Berry: Hã? Eu… O.k.
Policial: Eu te disse que eles estão a caminho; fale com eles quando eles chegarem aí, o.k.?
Amanda Berry: Tudo bem, o.k. Tchau.

O público censurou totalmente a atitude da operadora que atendeu à chamada, acusando-a de insensibilidade com a vítima, por querer mandar uma viatura ao local somente quando uma estivesse disponível, não confortá-la e por desligar o telefone, mesmo sabendo do risco iminente.

Particularmente concordo com as críticas, e se você for humano, com certeza se enterneceu com Amanda e seu desespero. A garota insistia em dizer seu nome, na esperança de que fosse prontamente reconhecida pela atendente como uma vítima de desaparecimento, mas foi tratada com frieza. Bem, apesar disso, ainda bem que foi amparada a tempo.

Aqui está a transcrição oficial da chamada telefônica disponibilizada pelo Departamento Legal de Cleveland:

Amanda Berry: Help me. I’m Amanda Berry.
Dispatcher: You need police, fire, ambulance?
Amanda Berry: I need police.
Dispatcher: OK, and what’s going on there?
Amanda Berry: I’ve been kidnapped and I’ve been missing for 10 years, and I’m, I’m here, I’m free now.
Dispatcher: OK, and what’s your address?
Amanda Berry: 2207 Seymour Avenue.
Dispatcher: 2207 Seymour. Looks like you’re calling me from 2210.
Amanda Berry: Huh?
Dispatcher: Looks like you’re calling me from 2210.
Amanda Berry: I can’t hear you.
Dispatcher: Looks like you’re calling me from 2210 Seymour.
Amanda Berry: I’m across the street; I’m using the phone.
Dispatcher: OK, stay there with those neighbors. Talk to police when they get there.
Amanda Berry: (Crying)
Dispatcher: OK, talk to police when they get there.
Amanda Berry: OK. Hello?
Dispatcher: OK, talk to the police when they get there.
Amanda Berry: OK (unintelligible).
Dispatcher: We’re going to send them as soon as we get a car open.
Amanda Berry: No, I need them now before he gets back.
Dispatcher: All right; we’re sending them, OK?
Amanda Berry: OK, I mean, like …
Dispatcher: Who’s the guy you’re trying — who’s the guy who went out?
Amanda Berry: Um, his name is Ariel Castro.
Dispatcher: OK. How old is he?
Amanda Berry: He’s like 52.
Dispatcher: And, uh –
Amanda Berry: I’m Amanda Berry. I’ve been on the news for the last 10 years.
Dispatcher: I got, I got that, dear. (Unintelligible) And, you say, what was his name again?
Amanda Berry: Uh, Ariel Castro.
Dispatcher: And is he white, black or Hispanic?
Amanda Berry: Uh, Hispanic.
Dispatcher: What’s he wearing?
Amanda Berry (agitated): I don’t know, ‘cause he’s not here right now. That’s why I ran away.
Dispatcher: When he left, what was he wearing?
Amanda Berry: Who knows (unintelligible).
Dispatcher: The police are on their way; talk to them when they get there.
Amanda Berry: Huh? I – OK.
Dispatcher: I told you they’re on their way; talk to them when they get there, OK.
Amanda Berry: All right, OK. Bye.

Ligação telefônica de Charles Ramsey à emergência

Policial: Cleveland 911. Polícia, ambulância e bombeiros.
Charles Ramsey: É, ei mano, eu estou na 2207 Seymour, West 25th. Verifique isso aqui. Eu vim do McDonald’s, certo. Essa moça está tentando escapar da porra da casa vizinha a minha. “O que há de errado com você? Qual o problema?” Ela estava como: “esse filho da puta que sequestrou eu e minha filha.” Ela disse que seu nome era Linda Berry ou alguma merda. Eu não sei quem porra ela é. Eu só me mexi até lá, mano.
Policial: Senhor, senhor, senhor, senhor… Você tem que se acalmar e ir devagar. Ela ainda está na rua?
Charles Ramsey: Avenida Seymour.
Policial: Ela ainda está na rua ou onde ela foi?
Charles Ramsey: É, eu tô olhando pra ela. Ela agora mesmo, ela tá ligando pra vocês. Ela tá em outro telefone.
Policial: Ela é negra, branca ou hispânica?
Charles Ramsey: Ela é branca, mas o bebê parece hispânico.
Policial: O que ela está vestindo?
Charles Ramsey: Regata branca, calça de moletom azul-claro como uma esposa espancada.
Policial: Você sabe o endereço da casa vizinha em que ela disse que estava?
Charles Ramsey: Sim, 2207. Tô olhando pra ele.
Policial: Eu pensei que esse era seu endereço.
Charles Ramsey: Não, eu sou mais esperto que isso, mano, tô te dizendo onde foi o crime, não minha casa.
Policial: Senhor, nós não podemos falar ao mesmo tempo. Você quer deixar seu nome e número ou manter-se anônimo?
Charles Ramsey: Charles Ramsey, R-A-M-S-E-Y.
Policial: Qual é o número de telefone?
Charles Ramsey: 216-315-4992
Policial: As pessoas que ela disse que fizeram isso, você sabe se eles ainda estão na casa?
Charles Ramsey: Eu não tenho porra de ideia nenhuma, mano. Eu só estava lá (Inaudível).
Policial: Você pode perguntá-la se ela precisa de uma ambulância?
Charles Ramsey: (Gritando) Você precisa de uma ambulância ou o quê? Ela precisa de tudo. Ela está em pânico, mano, ela foi sequestrada. Então ponha-se no lugar dela.
Policial: Nós enviaremos a polícia. Obrigado.
Charles Ramsey: Obrigado.

Aqui está a transcrição oficial da chamada telefônica disponibilizada pelo Departamento Legal de Cleveland:

Dispatcher: Cleveland 911 police, ambulance and fire.
Caller: Yeah, hey bro. I’m at 2207 Seymour, West 25th. Hey check this out.
I just came from McDonald’s right. (Inaudible)
This broad is trying to break out the fucking house next door to me.
So, there’s a bunch of people on the street right now and shit. (Inaudible).
What’s wrong with you, what’s the problem?
She’s like this motherfucker that’s kidnapped me and my daughter. (Inaudible).
She said her name was Linda Berry or some shit. I don’t know who the fuck that is. I just moved over there bro.
Dispatcher: Sir, you have to calm down and slow down. Is she still in the street?
Caller: Seymour Avenue.
Dispatcher: Is she still in the street or where did she go?
Caller: Yeah, I’m looking at her. She right now, she calling you. She on another phone.
Dispatcher: Is she black, white or Hispanic?
Caller: She white, but the baby look Hispanic.
Dispatcher: What is she wearing?
Caller: White tank top, light blue sweatpants like a wife beater.
Dispatcher: Do you know the address next door that she says she was in?
Caller: Yeah, 2207. I’m looking at it.
Dispatcher: I thought that was your address. (Inaudible).
Caller: No, I’m smarter than that bro, I am telling you where the crime was not my house.
Dispatcher: Sir, we can’t talk at the same time. Do you want to leave your name and number or remain anonymous?
Caller: Charles Ramsey, R A M S E Y.
Dispatcher: What’s the phone number?
Caller: (Gives number)
Dispatcher: Are the people she said that did this, do you know are they still in the house?
Caller: I don’t have a fucking clue bro. I was just there. (Inaudible).
Dispatcher: Can you ask her if she needs an ambulance?
Caller: shouts to woman: Do you need an ambulance or what?
She needs everything. She’s in a panic bro, she’s been kidnapped. So put yourself in her shoes.
Dispatcher: We will send the police out. Thank you.
Caller: Thank you.

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7 de maio de 2013 - Posted by | Notícias e política | ,

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